22 janeiro 2008

Feliz Acaso

- Vou começar a contar… Escondam-se! – Gritou. – Um… Dois… Três...

Comecei a correr. O mais depressa possível. Era de noite, talvez já passavam das onze da noite. Só conseguia ver árvores e arbustos. Num ápice, deixei de ver os meus amigos. Já tinham encontrado um esconderijo. Eu andava a correr, à procura dum lugar. Continuei… De repente, olho para o lado esquerdo e reparo em alguém a vir na minha direcção. Sem tempo para reagir, fomos um contra o outro. Caímos no chão. Quando me apercebi desatei a rir. A dar aquelas gargalhadas incontroláveis. Como já não dava há algum tempo! Ele colocou a sua mão na minha boca.

- Aguenta… Ou vamos ser apanhados! – Disse-me.

Uma luz batia-lhe nos olhos. Fiquei a olhar para ele até me acalmar. Ele tirou a mão e fez um enorme sorriso.

- Olá… Já nos conhecemos? – Perguntei.
- Não, não… É o meu primeiro ano aqui, neste aldeamento… Chamo-me Francisco Coimbra.
Sorriu.
- Ah… Eu sou a…
- … Calma, calma… Já nos viram! Quer dizer, viram alguém mas não sabem quem… – Disse, fazendo o seu enorme sorriso. – Vamos fugir!

Levantamo-nos. Ele pegou na minha mão e desatamos a correr por entre os arbustos, sem olhar para trás. Despistamo-los. Parámos. A nossa respiração estava alterada. Fiz um sorriso.

- E eu sou a Clara.

Largámos as mãos. Voltei-me, para ver se tínhamos sido apanhados. Ele aproximou-se ao meu ouvido, por detrás de mim, sussurrando-me. Fiquei boquiaberta. Sem reacção. Dá-me um beijo na bochecha. Sinto as mãos dele à minha volta, abraçando-me.

Abraçou-me com força!

- Clara… Clara… – Disse baixinho.

Voltei-me, para o encarar.

- Rafa… – Disse num tom desapontado.
- É assim que cumprimentas o teu namorado? Até parece que estavas à espera de outra pessoa…
- Não… Claro que não, Rafa! – Disse de forma convincente. – Então, vamos até ao mar ou não? Uma corrida e o último paga o almoço…
Começamos a correr.
Olhei para o lado esquerdo, vi alguém na minha direcção. Foi contra mim. Caímos na areia.

- Ouch! … A minha cabeça… - Queixei-me.

Estava meia zonza. Virei a cara, o rapaz também ainda estava deitado no chão.
Não aguentei e desatei a rir.

- Descul… Desculpa… Juro que não te vi…
- Já não dava uma queda destas à bastante tempo, desde que era miúdo. – Disse.

Levantamo-nos. Olhei para ele e a sua cara não me era estranha.

- Desculpa, a sério. – Lamentei.
- Oh, não tem mal… - Disse, fazendo um enorme sorriso.

Pausa.

- Francisco?! … Francisco?

Ficou com aquele ar perdido, tentando ver quem eu era.

- Sim… Sou Francisco, mas…
- … Francisco Coimbra? – Perguntei, sorrindo.
- Sim. Já nos conhecemos? – Perguntou-me.

Aproximei-me do ouvido dele e sussurrei o que ele me tinha sussurrado há cinco anos atrás.
Dei-lhe um beijo na bochecha.

- És a Clara!

Ele lembrou-se. Ele lembra-se de mim.

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