27 fevereiro 2009

mais pessoal

Tenho momentos na minha vida em que me sinto sozinha, desprotegida. Sinto uma enorme vontade de me exprimir, de conversar... Mais do que falar, vontade de conversar. Uma conversa longa. Contudo, sinto que não há ninguém. Nesses momentos, gosto de me sentar, no chão, aos pés da minha cama, ligar o meu rádio e ouvir músicas antigas. Aquelas músicas que me relembram o passado. Ai, que bom. O meu passado foi maravilhoso. Sinto, por vezes, um arrepio, quando consigo imaginar o que sentia na altura em que ouvia estas músicas. É incrível. Ás vezes, dá-me vontade de chorar. A minha vida mudou tanto. Recordo-me das tardes, no colégio, quando era pequena, onde a única preocupação era encontrar uma brincadeira que agradasse a todos. Entrou muita gente mas saiu a maioria. Tive uma paixão de infância e ainda hoje me recordo da história, até me rio. Nem acredito que passaram mais de oito anos. Oito anos! Tive um amor que acabou por se transformar numa desilusão. Tive um "amor" plutónico.
Agora cresci. Já estou a sair dos teens. Sou adulta. Tomo as minhas decisões e tudo o que eu faço hoje, afecta o meu amanhã. Estou a concretizar um sonho de criança. É verdade, um dia vou ser MÉDICA. Por vezes, ainda não acredito. Estou feliz. Bastante feliz. E com muitas expectativas. Não quero ser uma médica que se limitou a passar às cadeiras, quero ser uma médica com sucesso, competente. Hoje sei que sou feliz. Mas incompleta. Não devia de me sentir assim, afinal estou onde quero estar. Estou a tirar um curso que gosto. Mas, sinto-me incompleta. Porque? Sinto que está tudo a correr ao mesmo tempo e que as horas passam e o estudo permanece igual. É pressão dos professores, dos pais... e de mim. Alguém hoje me disse que as notas não transmitem o conhecimento da pessoa ou se vai ser ou não um grande médico. Concordo!

Ás vezes, sinto-me só. Estou fora de casa. Estou longe das pessoas mais importantes para mim, estou longe do meu sítio. Estou longe por uma boa causa, é o que eu penso. Disseram-me que sou mimada. Eu digo logo que "não!" mas, se calhar, até sou. Gosto que conversem comigo e que me dêm atenção. Às vezes... Às vezes, só preciso disso para o dia me correr melhor. Ou a noite. Estou numa casa, onde em tempos me considerei uma estranha. Estou a viver com duas raparigas que há meses atrás não conhecia. Estou a viver por minha conta. E estou a gostar. Tenho um quarto colorido. Finalmente, tenho um quarto só meu. Estou a crescer. Tenho dezanove anos e sinto que os dias passam a correr. Não quero. Este ano sou caloira. E não quero deixar de ser caloira. Dizem que estes vão ser os melhores anos da nossa vida. Para já, está a ser.

Amanhã mais um dia de estudo, de aulas.

1 comentário:

Izzie disse...

Eu estou aqui. Não fiz parte do teu passado, nem das tuas boas recordações. mas estou aqui. Quero fazer parte do teu presente e do teu futuro. Quero fazer-te sentir em casa, quero fazer-te perder essa solidão. É certo que ainda não nos conhecemos muito bem, mas haverá tempo suficiente para isso. Acho eu. Espero eu.

Para já, resta-me dizer-te que podes contar comigo para essas conversas longas que te apetece ter. Mas para as quais dizes naõ teres niguém. Quando achares que fará sentido fazê-lo comigo, cá estarei para te ouvir!

Ta bem menina? Sabes que gosto de ti. E que és a minha pindérica preferida:)!

Beijinho grande. E um abraço daqueles!