- Sabes há quanto tempo somos amigos?
- Uh? Porquê a pergunta?
Samantha fica a olhar para Nathan com cara de séria.
- Ok... Ok, já percebi... Bem, já nos conhecemos há catorze anos... Por isso somos amigos há...
- Doze anos! Há doze anos... Lembro-me tão bem... - disse, sorrindo. Estávamos em Maio... Passei a tarde toda a escrever-te uma carta...
- Escreveste-me uma carta? - perguntou, curioso.
- Shh! Deixa-me continuar. - pediu Samantha. - Tentei pôr em palavras o que sentia por ti... É complicado! Acho que escrevi seis ou sete cartas até ter aquela que exprimia tudo. Consegui! (Pausa.) Foi tão difícil de escrever, admitir tudo. Eu tentei esconder... Mas já não aguentava mais. Eu tentei dar-te a carta mas fui adiando, adiando... (Pausa.) Finalmente consegui pôr a vergonha e o medo atrás das costas... Arranjei coragem para te entregar... Mas nunca o fiz... Porque... - começou a chorar. - esse foi o dia em que me apresentaste a Ariel. A Ariel Belair, a rapariga mais bonita e popular do colégio. Ela tinha aquele sorriso rasgado... perfeito! Percebi logo porque gostavas dela... E ela... Ela olhava para ti de uma maneira especial... Estava mesmo apaixonada! Vocês ficavam tão bem juntos, que não me quis meter. Então, guardei a carta. Já passaram doze anos... Não quero deixar passar mais tempo. Já não aguento! Por isso, vim hoje... - disse, tirando a carta da carteira vermelha - entregar-te a carta. Quero que a leias. O que eu escrevi ainda é verdadeiro hoje!
Ele abriu e começou a ler. Ela olhava para a cara de Nathan, tentando interpretar as expressões faciais. Às vezes sorria, outras vezes fazia cara de sério.
- Sam... - disse, levantando a cabeça.
Samantha estava com lágrimas nos olhos. Ele aproximou-se dela.
- Oh, Sam... - disse, abraçando-a com força.
- Desculpa, Nate. Eu devia ter dito mais cedo...
- Pois devias, Sam.
Ele afastou-se. Olhou para ela.
- Eu não sei o que dizer agora... Eu acho que esperei toda a minha vida por estas palavras. Eu sou apaixonado por ti, Sam! Mas...
- Nate, eu sei que és feliz... Tens um casamento perfeito... A Ariel é uma óptima mulher para ti... E uma óptima amiga... Mas, fica comigo, Nate! Eu gosto de ti.
Ele agarrou-a nos braços. Ficaram a olhar um para o outro, em silêncio. Ele encostou-a a uma parede e beijou-a. Foi o primeiro beijo deles.
Ele afastou-se, levando a mão à boca.
- Não posso fazer isto! Desculpa, Sam.. Mas não posso...
Ela ficou com um olhar de perdida.
- É que... - começou Nathan - a Ariel está grávida do nosso primeiro filho.
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