É de manhã. Eles ainda estavam deitados na cama. Ele levantou-se, tentando não fazer muito barulho para não a acordar. Ela sentiu. Ele abriu um pouco às persianas, iluminando o quatro. Aproximou-se dela, sentando-se na cama, ao seu lado. Ela abriu os olhos e sorriu. Ele sorriu de volta. "Esta é a mulher da minha vida", disse para si mesmo. Colocou a sua mão na barriga dela e deu-lhe um beijo na testa. Ela levantou-se. Pegou no telemóvel e reparou que eram 11h45 da manhã, do dia 18 Junho 2017. "É domingo!", pensou ela. Vestiu uma camisola amarela bem larga. Saiu do quarto e apeteceu-lhe tocar uma música no piano. "Já não toco há algum tempo..", disse. Sentou-se, um pouco afastada do teclado, e começou a tocar. Como sempre, tinha que tocar a sua música preferida. Tocava suavemente.
- Sara? Sara? - Gritava alguém.
Estava a passear junto ao mar. Tinha uma saia violeta até aos pés, um bikini branco e as minhas gregas na mão. Tinha o cabelo cheio de caracóis preso, com algumas madeixas soltas e uns óculos rayban nos olhos.
- Sara? – Continuavam a gritar mas eu estava longe.
O meu telemóvel vibrou duas vezes, é um sinal de mensagem recebida. Abri e li “Olha para trás.”
Olhei e vi-o a correr em minha direcção. Chegou e parou. Sorrimos. Demos um beijo apaixonado. Ficamos juntos até vermos o pôr-do-sol, em cima das rochas.
- Sabes, Sara, eu sei que namoramos há pouco tempo mas sinto que vamos ficar juntos.
- Claro que vamos. Temos ainda muito que viver e eu ainda só tenho dezasseis e tu dezoito anos. Sei que é ridículo dizer isto mas eu quero…
- Não precisas de dizer. Eu também quero. E isso vai acontecer. Vamo-nos casar e ter três filhos.
- Três? Estou a ver que já andaste a pensar nisso… Só quero dois, é o suficiente.
- Não, não. Vamos ter dois gémeos rapazes para jogarem futebol comigo, e uma menina para fazer-te companhia. Não é o ideal?
- Não! Dois rapazes? Logo dois? Não quero. Quero duas meninas e depois, quem sabe, um rapazito.
- Vamos ver...
Despertou para o presente. Acabou de tocar a música. Agarrou a sua barriga e disse em voz alta: “Nem acredito que já se passaram doze anos. Nem acredito que estou casada, grávida de vocês, meninas!”
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